Dia #40
Hvovolur – Selfoss (53kms)
A filha do dono do camping é uma menina com umas características
físicas bem fortes, bonita mas bem rústica. Na casa deles, que fica do lado do
camping, tem uns 10 cachorros, todos andando livres e soltos pelos corredores.
Fiquei curioso de saber como devia ser a vida por ali...
Saí sem pressa do camping, sentido Selfoss. O caminho não
teve grandes novidades, parei em Helar para tomar um café. Outro ponto
interessante que passei foi pelo vulcão Hekla e
bati uma foto.
Bike e Hekla (o portão do inferno)
Próximo de Selfoss
O vento começou a ficar bem forte conforme o tempo foi
passando, mas cheguei tranquilo em Selfoss. No albergue havia mais uma excursão
dos EUA, jovens fazendo algum tipo de turismo educacional. Gostei do albergue e
ficarei por aqui mais 3 noites, to precisando recompor as pernas, que estão sem o devido descanso faz tempo..
Saí para comprar os raios para a bike, porém ainda não
troquei.. a preguiça é absurda. A cidade é bem grandinha, creio que deve ser a
terceira ou quarta maior cidade do país (população de 6 mil pessoas). Tem até
um cinema, que parece estar passando o novo filme do Batman.
A noite andei pelas ruas da cidade, bateu um sentimento
bucólico... uma saudades de Londres(!), do momento que cheguei lá e fui
pedalando por aquelas ruas de mão invertida.. tudo plano. Selfoss, de alguma
forma, fez reverberar Londres.. talvez por causa das cores do céu, uma
coisa meio nublada, com o ínicio da noite.. tons de azul e cinza e uma
temperatura agradável.. 14 graus.
Neste passeio noturno fiquei sabendo sobre o rio da cidade,
que já teve algumas enchentes e umas destruições de pontes. Fiquei “viajando” nas
fotografias... elas pareciam ser tão atuais
(a maioria era da década de 50), todas aquelas pessoas ali provavelmente já
estão mortas.. mas de alguma forma a fotografia dava vida aquelas pessoas.
Dia #41 Selfoss – cratera Kerið –
Selfoss (32kms)
De manhã fiquei trocando uma ideia
com um “Iron Man” que estava no dormitório. Iron man é uma modalidade de
triathlon que leva o cara ao extremo.. nada uns 5kms, corre a maratona e pedala
uns 180kms (algo assim). O figura era um americano, da Flórida, que estava 5
semanas de carro aqui na Islândia. Uma sensação que nós dois compartilhamos era
que já vimos tudo por aqui.. ilusão nossa, mas é uma sensação.
Acordei super cedo, 6am, queria ficar
parado, descansando.. mas não rolou.. peguei a bike e fui até a cratera Kerið,
que fica uns 15kms daqui. Valeu a pena.. o vento estava forte, mas a bike
estava sem peso nenhum.. o que facilitou muito o pedal.
Kerið
Kerið #2
Victor e a cratera
Chegando lá fiquei horas admirando e
fotografando. Neste momento aconteceu mais um problema técnico: a câmera
fotográfica deu problemas e agora o autofocus não está mais funcionando.. não é
o maior problema do mundo, mas agora tenho que fazer tudo na mão mesmo, creio
que vou me tornar até um fotógrafo melhor depois dessa -tentando ver o
lado positivo das coisas :(
Na volta encontrei um ciclista
Inglês, que estava fugindo do caos Londrino (devido às Olimpíadas). Ele estava
bem assustado, iria ficar por aqui por duas semanas, e perguntou se eu não
tinha enlouquecido.. porque ele estava surtando. Conversamos um pouco e ele era
muito gente boa, mas estava sofrendo demais com as condições climáticas do
país.
O resto do dia fiquei de boa no
hotel, editando umas fotos e matando tempo na internet . Comprei duas cervejas
e um Doritos gigante. As cervejas daqui são muito fracas, 2,5% de álcool.. não rola ficar bêbado, seria necessário tomar
litros e mais litros.
Minhas pernas estão muito cansadas, um
cansaço acumulado.. nunca tive isso antes. Amanhã queria ir até uma caverna mas
vou ficar de boa (pelo menos tentar), chega uma hora que o corpo pede arrego.
De noite saí para caminhar pelas ruas
e comer um iogurte. Bateu de novo a sensaçao bucólica e a saudades de Londres.
Sei lá, minha chegada e estadia na cidade foi muito boa e só tenho sensações
ótimas de recordação. Creio que a luz noturna também é algo que me agrada
muito.. não é completamente noite, é como um anoitecer, só que sem os raios
laranjas do sol. Uma coisa que já percebi é que boa parte das minhas melhores
lembranças na minha infância tem esta mesma luz. Seria como um dia nublado no
final de tarde, sem as nuvens.. algo assim.
Dia #43 Selfoss – Hveragerdi (18kms)
Pedalei pouco hoje, o vento estava
muito forte, e contra o tempo todo. Resolvi ficar em Hveragerdi e fazer o resto
do caminho amanhã. Hveragerdi é uma cidade que tem uma atividade geológica
muito forte. Em 2008 teve um terremoto na cidade e apareceu novos geisers.
Lama fervendo no chão
Comi algo e fui no parque central da
cidade, onde tem uns geisers pequenos e umas lagoas. Tem bastante informações
ali, inclusive de uma bactéria que vive numa das poças que é um dos organismos
mais antigos da terra. Outra coisa interessante são os ovos que o pessoal vende para cozinhar ali, no rio.
Cozinhando ovos
Fiquei cansado vendo tudo aquilo e
fui para a barraca. Ai apareceu a tormenta do dia: Daaaaadddyyyyy!!.. Tinha um trailer com uma criança birrenta do
lado da barraca. Tentei dar uma dormida, mas não rolou, nem com os protetores
de ouvido.. a criança ultrapassava a barreira do som. O calor dentro da barraca
aumentou, estava suando muito.. e resolvi sair.. então um vento muito gelado
apareceu. Isso é algo para levar em consideração na Islândia, é dificil ter um
tempo “bom”, geralmente ou é frio demais ou quando você tenta se proteger do
frio fica quente demais.. é um problema que quase não existe no Brasil. E isso
é ruim também para ver as atrações e paisagens.. é difícil ficar ali, no vento,
no frio, parado.. você acaba não aproveitando tanto o quanto deveria... mas
isso também faz parte da coisa toda.
Final da tarde fui para uma caminhada
pela montanha. O vento estava muito forte, mas valeu a pena.. deu para ver
coisas impressionantes.. parecia a Lua,
ou algo assim.
No final da trilha, de uns 4 kms,
tinha um rio, com água muito quente.. mas muito quente. Aproveitei e entrei na
água, deu pra dar uma relaxada.. mas ao mesmo tempo bateu uma canseira absurda,
fiquei muito cansado.. creio que deve ser um bom lugar para acampar, ali do
lado do rio quente.. acorda, toma um banho, come algo, dorme.. vidinha mais ou
menos.
Trilha pela montanha e os geisers a mil..
Na volta fiz uma bela janta (pesto de
novo) e fui num café usar a internet.. tava tão cansado que foi difícil
conversar com o pessoal..
Não tive muita opção a não ser ir
dormir.. acordei algumas vezes com a criança fazendo birra, mas é a vida..
Dia #43 (04/08/12) – Hvaverdi – Reykjavik (55kms)
Acordei bem, deu pra dormir legal e
fui tomar um café da manhã.
Conversando com o dono do camping,
fiquei sabendo que passei na península que tem o vulcão do Viagem ao Centro da
Terra, do Julio Verne. Legal saber que dormi nos pés do vulcão que inspirou o
escritor Francês.
Comi bastante, mais do que deveria, e
segui viagem. O caminho foi marcado por uma subida de 10 kms, foi aos poucos,
mas foi. Lá em cima encontrei a estação de aquecimento de água. É nesta estação
que toda a água quente da capital Reykjavik é aquecida. O solo é muito quente
por ali, o suficiente para aquecer a água e mandá-la 50 kms dalí.. tudo isso
apenas com a energia natural da terra.
Eu e os vulcões
Estação de aquecimento de água
O resto do caminho foi tranquilo, ia
parando, olhando tudo.. e o final do trajeto ia chegando. Foi uma emoção quando
cheguei na capital e completei a volta a Islândia. Mas achava que iria me
emocionar mais.. na verdade ainda tenho cerca de uns 100 kms até o Aeroporto,
então apenas técnicamente a volta terminou.
Chegando no início
Parei para comer um pão com manteiga
de amendoim e segui para o camping. Após arrumar a barraca fui para a praia e
fiquei umas duas horas ali, sentando e revendo os lugares e experiências que
lembrava.. foi um momento interessante.
Fui procurar uma internet, conversei
com o povo, postei fotos no facebook e depois voltei pro camping. Mais um dia
de pesto. Conversei com um alemão durante a janta, é interessante estas
pequenas conversas, pois não são tão fúteis.. parece que o povo que está ali
realmente é interessante e tem algo para dizer.
Dia #44 (05/08/12) Reykjavik
Hoje foi o dia dos museus. Queria
entender melhor por onde passei..
O primeiro foi o national gallery,
achei fraquinho.. bem fraquinho... o que valeu a pena foi um filme de 1h que
assisti sobre as “vacas marinhas”.
Esses bichos são uns mamíferos
gigantes que ninguém nunca tinha registrado antes, somente no século XIX.
Depois sumiram... então dois cientistas daqui foram procurar os bichos. Pra
encurtar a história, descobriram que os bichos são sensíveis às ondas
eletromagnéticas, tipo rádio, satélite, tv... então eles se escondem nas profundezas, pois é
como uma tortura ficar próximo da superfície – onde os raios são mais fortes.
Mas a cada 2hs eles tem que voltar para a superfície para pegar mais
oxigênio.. então ficam muito rápido na superfície, respiram, sofrem e voltam pras profundezas.
Depois fui para o maior museu
(National Museum), onde conta toda a história da Islândia. Aprendi muito ali,
fiquei a tarde toda. Foi uma carga grande, fiquei impressionado,
como um país tão pequeno, tem tanta informação assim.. E foi batendo um
sentimento bucólico de novo, vontade de continuar viajando, uma melancolia..
com o final que está chegando.
Reykjavík - Lago Tjörnin
Hallgrímskirkja
Pensei sobre o que foi esta viagem,
no início a bike, o percurso era o mais importante, mas depois a fotografia foi
tomando espaço.. e virou a grande motivação da viagem. Claro que gosto de
pedalar e com certeza muitas fotos que tirei só são possíveis porque estou de
bicicleta. Mas a fotografia ficou muito grande para mim, na real já era, mas
foi ficando maior...
Também penso sobre o que será meu
futuro. Estou sem emprego fixo e fico imaginando as possibilidades.
Bem, depois de visitar o National
Museum fui comer. Como está com saudades de Londres resolvi comer fish and chips,
que é oque o povo mais come por lá. Em sequencia fui para mais um museu.. o
Reykjavik 871 +-2.
Este museu é bem interessante. É um
sitio arqueológico no meio da cidade, lá tem os primeiros registros de
civilização encontrados no país.. eles não tem certeza da data, por isso tem o
+-2 no nome do museu.
Agora estou escrevendo no camping,
com mais umas 20 pessoas aglomeradas no chão, lutando por uma tomada e um sinal
de wi-fi.
Dia #45
(05/08/12) Reykjavik – Grindavik (65kms)
O dia
começou com um tempo nublado e uma leve garoa. Tomei um café da manhã legal,
arrumei as coisas e parti rumo a península sul do país.
Hoje é
feriado nacional, quase nada estava aberto e precisava comprar fita adesiva
para empacotar a bike para o avião, assim como comprar alguma comida para o
caminho. Encontrei um posto de gasolina aberto e os problemas foram resolvidos.
Decidi ir
pela costa, pelos bairros e cidades satélites de Reykjavik.. evitando assim a
rodovia principal. O caminho foi muito legal, uma ciclovia por quase 20 kms,
beirando a paisagem bucólica e cinza da capital. Essa é uma das facilidades de ter um GPS. Um
dado curioso foi que não encontrei nenhum ciclista usando gps, mas quase todos
com o mesmo mapa da Islândia, no alforge do guidão.
O pedal
estava muito bom, com algum vento contra, mas eu sabia que já chegaria no final
de toda a viagem e consegui curtir o vento contra meu rosto.. isso é a Islândia
e provavelmente seria uma das últimas vezes que estava sentindo algo assim...
em breve esta sensação viraria apenas uma lembrança...
Quando
peguei a rodovia, que já havia percorrido antes (porém no outro lado da pista),
percebi várias coisas que passaram invisíveis na primeira vez.. a primeira foi
que aquele lugar era um campo gigante de lava sedimentada a outra foi a
desolação total.. somente pedras, o oceano e o barulho do vento.. interrompido
pelo barulho dos carros.
Chegando
perto de Vogar resolvi visitar o Gumi, que me hospedou em sua casa nos
primeiros dias da viagem. A reação dele foi ótima, surpreso, porém feliz em me
ver. Não sabia como os Islandêses reagem a essas visitas inesperadas, mas foi
legal.
Tomamos um
café e conversamos por algumas horas, ele estava com uma amiga de Amsterdam,
que toca trompete.. com certeza foi uma ótima ideia ter passado lá e ter visto
o amigo, sabe-se lá se um dia irei encontrá-lo de novo...
Na saída de
Vogar bateu uma sensação muito boa, estava partindo mais uma vez da cidade, mas
agora as coisas eram diferentes.. antes estava cheio de expectativas, de medos,
anseios e incertezas.. agora tudo aquilo era passado, já vivido, um novo mundo
e uma nova visão sobre um mesmo lugar.
Creio que a
única coisa ruim que posso dizer sobre as estradas da Islândia é que no
acostamento as vezes existe uma marca de pneu 4x4, algo assim, tipo quando um
trator passa em cima de cimento... e isso é bem ruim para quem pedala, pois é
impossível seguir por alí e temos que ir para a pista. Creio que isso existe
para dar um aviso aos motoristas que eles estão saindo fora da pista.
Quando
avistei a Lagoa Azul, que é uma das novas maravilhas do mundo, fiquei
impressionado. É um grande lago no meio daquele deserto.. e com uma cor muito
diferente. A composição da água é de muitos minerais diferentes, com predominância
de silíca e enxofre, e a temperatura é em torno de 40 graus, com alguns pontos
mais quentes e outros mais frios.
Lagoa Azul #1
Lagoa Azul #2
Deixei a
bike no estacionamento e segui para o SPA. Sim, a lagoa agora é um SPA, e super
caro para entrar.. cerca de uns 50 dolares. Creio que a Lagoa e a escalada no
gelo foram os dois únicos passeios que paguei aqui, e foram bem aproveitados.
Fiquei cerca de 3hs naquelas águas quentes e relaxantes. Na saída tentei bater
uma foto igual a do Flickr (uma das telas de abertura do site Flickr é a
Lagoa), mas iria demorar demais pras pessoas ficarem naquela configuração da
foto ...
Para
Grindavik faltavam apenas 6 kms, que fiz sorrindo, com uma sensação ótima.. e
ouvindo uma música do Lenine que acho muito legal, e significa muita coisa, mas
aquela hora a frase que estava pegando era: Este lugar é uma maravilha, mas
como é que a gente faz pra sair da Ilha??
Em
Grindavik encontrei fácil o camping, bati umas fotos, comi e fui tomar um café
num lugar que o Gummi tinha recomendado, do lado do porto. O dono era muito
gente boa e ficamos trocando uma ideia até tarde, quando fui pra barraca
dormir.
Dia #46
(07/08/12) Grindavik – Keflavik (50 kms)
O último
dia de pedal.
Saí sentido
oeste, para um caminho mais deserto até Keflavik. Todo asfaltado e quase sem
ninguém ali, pois leva o dobro da distância.
Valeu muito
a pena, um cenário de filme, desertos, geisers, fumaça...
A primeira
parada foi no maior “lago de lama” com atividade geológica da Islândia, o
Gunnuhver. Lembrava Geysir, Hveragerdi.. porém maior e sem tanta gente. A
sensação de caminhar naquele lugar quente e esfumaçado é única.. caminhando nos
vulcões. O nome do lugar, Gunnuhver vem da lenda de uma bruxa que morava na
região. Um advogado (ou um juiz, não lembro direito) comprou as terras locais,
ela se recusou a pagar o aluguel e acabaram pegando uma panela/caldeirão em
troca do aluguel.. e ela ficou muito enfurecida. Algum tempo depois ela acabou
morrendo. Enquanto ela estava no caixão ela disse: não me enterrem muito fundo,
pois não pretendo ficar muito tempo por aqui. E no dia seguinte o advogado foi
encontrado morto. Antigamente havia um
geiser gigante naquelas águas, mas desapareceu. Essas coisas são bem constantes
por aqui, as vezes aparece um lugar com atividade geológica nova e outros
desaparecem.
O próximo
ponto de parada foi a ponte que separada a Europa da América. Ali é junção das
placas tectônicas dos dois continentes, que se afastam 2 cms a cada ano. Legal
passar com a bike ali, um figura até brincou comigo.. você ta pedalando da
Europa até a América.
Próximo do Aeroporto tem uma antiga base militar dos EUA, que agora é uma universidade. Boa parte da herança cultural contemporânea da Islândia se deve aquela base. Os EUA investiram muita grana no país durante o período da guerra fria e creio que os costumes do país mnudaram muito, pois quando você vê uma revista, um anûncio de jornal da época é igual ao dos EUA.. aquela coisa American Way Of Life.
Ponte entre América e Europa
Próximo do Aeroporto tem uma antiga base militar dos EUA, que agora é uma universidade. Boa parte da herança cultural contemporânea da Islândia se deve aquela base. Os EUA investiram muita grana no país durante o período da guerra fria e creio que os costumes do país mnudaram muito, pois quando você vê uma revista, um anûncio de jornal da época é igual ao dos EUA.. aquela coisa American Way Of Life.
Antiga base militar dos EUA, atualmente uma universidade
Um pouco
antes de chegar no camping parei no mercado e comprei um pouco de comida e
tomei uma cerveja enquanto esperava a chuva passar. Depois de uns trinta
minutos segui viagem.
Em Keflavik
não estava acreditando no que eu tinha passado e vivido. Tinha retornado ao
mesmo ponto que comecei a viagem, porém a história era outra.. o que antes eram
expectativas agora era uma bagagem de vida.
No camping
haviam muitos ciclistas, todos deixam suas caixas de bicicleta ali. A minha
estava inteira, porém um pouco molhada. Foi legal trocar ideias com todos, o
que cada um passou e viveu naquela ilha.. cada um com uma historia totalmente
diferente.
Saí para
conhecer a cidade, tomar um café e usar a internet. Foi legal falar
(virtualmente) com todos no Brasil e provavelmente será a última vez antes de
chegar no Brasil.
Antes de ir
pro camping passei num restaurante de fast food e fiz minha única “refeição”
deste tipo no país.. hamburguer, refrigerante e batata frita... precisava
experimentar.. tem gosto de macdonalds, mas não era um macdonalds.. mas uma
influência da herança norte americana.
A noite
fiquei arrumando tudo, desmontando a bike. A parte que gostei foi de jogar a
roda fora. Sentia uma carga ruim nela, sei lá, paranóias das nossas cabeças. Os
raios já estavam quebrando e com certeza foi a melhor opção, assim iria aliviar
o peso pra carregá-la também. Aproveitei
e joguei a corrente, os pedais e o cassete fora também.. já estavam todos muito
detonados e na hora de uma troca.
A arrumação
toda levou cerca de 3 horas, mas parece que ficou muito mais fácil carregar do
que antes.. não sei o que acontece, mas tudo ta mais leve. Para arrumar foi bem menos estressante do que
da primeira vez.. sabia exatamente onde iria cada coisa. Algumas pessoas me
perguntaram como faço com as coisas no avião. É uma dúvida bem comum que,
inclusive, eu também tenho. Mas dividi tudo em 4 compartimentos:
•
Caixa da bike (bike, barraca, saco e colchão de dormir, 2 tripés,
capacete, pneu kevlar)
•
Alforge 1 (roupa e coisas que consigo levar como bagagem de mão no
avião, notebook)
•
Alforge 2 (eletrônicos, ferramentas e coisas que não consigo levar
como bagagem de mão)
•
Alforge de guidão (cameras, lentes, gps, gravador de som)
Então assim
fica fácil.. despacho a caixa da bike e o alforge com as ferramentas. Levo na
mão o alforge de guidão (que passa como bolsa de câmera fotográfica para o
aeroporto) e o alforge com as roupas.
Não consegui
dormir legal nesta noite. Muita expectativa e ansiedade em relação ao dia de
amanhã. Irei para Londres em Gatwick, depois pegarei um ônibus para Heathrow e
seguirei viagem ao Brasil. As preocupações são sempre em relação a bike, se os
caras vão encanar com algo, destruí-la, extraviar, como fazer para transportar
todo aquele monte de coisa sozinho.. muitas coisas.. (mas que no final sempre
dão certo). A noite foi muito, mas muito frio também... tentei me agasalhar mas
ai comecei a suar e o suor gelado virou um problema, precisei abrir as malas
pra pegar algo pra me secar, caso contrário iria ficar doente. Durante a noite
choveu bastante, assim como tivemos
cerca de umas 4 horas de noite.. e pelo menos umas 2hs bem escuras, com
direito a ligar luz de poste e tudo.
Dia #47
(08/08/12) Keflavik – Londres – indo para SP
Acordei
4:30 da manhã. O dono do camping tem um serviço de transfer até o aeroporto e
tinha uma van saindo 6:30. Custa cerca de 17 reais para quem leva a bike, de taxi custaria algo
em torno de 20.
Tomei
banho, fiz a barba, cortei as unhas e coloquei minhas roupas de civil.. calça
jeans e camisa e blusa.. voltava a ser uma pessoa quase normal...
Uma chuva
atrapalhou todo o processo, tudo estava meio úmido, inclusive a caixa de
papelão da bike. Passei fita crepe por toda a caixa, fazendo uma caixa dentro
da caixa. Creio que agora a bike estava pronta para enfrentar 2 voos.
No
aeroporto, em Keflavik, tudo ocorreu bem. Check in e depois despachar a bike no
setor de "bagagens incomuns".
Depois de resolver o despacho da bike, fui lá para fora.
Estava bem
frio, com chuva e vento. As pessoas estavam chegando na Islândia, todos
comentavam do frio e andavam correndo, com aquelas caras de
"maravilhados". Fiquei lá parado, sentindo o frio por um tempo,
sentindo pela última vez aquela sensação me envolvendo.. como se a ilha
estivesse me abraçando numa despedida entre dois amigos.
Quando fui
passar pelo serviço de imigração da Islândia rolou um problema. Eles não haviam
carimbado meu passaporte na entrada do país. Creio que não carimbam de ninguém
da união européia, e como só tinha gente de lá na fila quando entrei no país,
acabei passando despercebido. O pessoal me chamou pruma salinha, tipo de
tortura, e fiquei aguardando. O policial levou meu passaporte e depois de uns
15 minutos voltou pedindo desculpas, pois não foi culpa minha e sim do serviço
de imigração... e como recompensa pelo inconveniente iriam me dar
terras no país.
O voo foi
tranquilo, deu para dormir um pouco até. A Iceland Express não tem serviço de
bordo gratuíto, tem que pagar por tudo.. preços nas alturas. O tempo estva bem
nublado e não deu para ver muita coisa além das nuvens. Quando era 1:00 pm chegamos
em Gatwick, em Londres.
Passei pelo
serviço de imigração tranquilamente e fiquei com um visto de "em
trânsito". O trajeto até Heathrow, o aeroporto que sai meu voo para o
Brasil, foi tranquilo num ônibus da National Express e custou cerca de 25
libras.
Em Heathrow
cheguei às 15hs e fiquei esperando os guichês da TAM abrirem às 17hs, pra
despachar a bike e fazer uma breve visita a cidade. O metrô estava bem cheio,
horário de pico, mas nem se compara (nem de longe) com um metrô cheio em São
Paulo. Fui até o Hyde Park, caminhei um pouco por ali, e segui até o Royal
Albert Hall, que é uma casa de espetáculos. E pra mim tem uma importância
especial por causa de um show do Led Zeppelin.
Royal
Albert Hall
Albert Memorial
Perto do
metrô parei num pub e tomei minha última breja londrina.. London Pride, bons
momentos. Fiquei com mais saudades de Londres do que da Islândia, espero voltar
em breve para lá.
O voo para
o Brasil foi aquela coisa, criança chorando, assento do lado do banheiro - e
entre a janela e o corredor - e um figura que estava tendo um ataque de pânico
ao lado. No final das contas, 12 horas depois, tudo isso chegou ao fim.
Dia #48
(09/08/12) Guarulhos - São Paulo
Tava
apreensivo em relação a bike, que não aparecia na esteira de bagagens.. creio
que foi a última coisa a aparecer, mas veio. Agora só faltava passar pela
receita federal, como não tinha comprado nada lá fora, e sim trazido do Brasil,
não precisei declarar nada.. mas nunca se sabe se os caras vão encanar. E não
encanaram, na verdade estavam todos querendo tirar fotos com um medalhista
olímpico que estava desembarcando.
Escolhi ir
até Congonhas pelo serviço de ônibus especial. Daria pra ter ido mais perto de
casa, porém os carrinhos para transporte de bagagens dos aeroportos eram
essênciais para o transporte da bike: a caixa estava muito pesada e
desmanchando.. e com mais 3 malas pra carregar.
A primeira
coisa que me chamou atenção em São Paulo foi o trânsito, tinha esquecido de
como é caótico.. e outra foi a sujeira e o descaso com as coisas. Bem clichê
essa constatação, mas foi o que pegou. Triste isso, não precisa ser asséptico,
mas o descaso com a cidade é absurdo. Uma cidade para carros e não para pessoas.
Em casa foi
muito bom rever os amigos e minha cama, na qual dormi por cerca de 12hs
seguidas..
Agora nos próximos dias pretendo descansar um pouco, rever minha vida e fazer um novo post pra finalizar o relatório desta ciclo-viagem.
Agora nos próximos dias pretendo descansar um pouco, rever minha vida e fazer um novo post pra finalizar o relatório desta ciclo-viagem.