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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Revista Bicicleta – Islândia e Estrada Real


           Publiquei duas matérias na Revista Bicicleta sobre as viagens de bike pela Islândia e pela Estrada Real.
           Os links para as versões online estão no meu site:

As revistas podem ser adquiridas pelo site da revista:

Islândia - Edição 25 / Fevereiro 2013
Estrada Real - Edição 28 / Maio 2013



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Estrada Real - Caminho do Ouro (Caminho velho)

Dia #7 - Ouro Preto (sem pedal hoje)

Igreja - Ouro Preto

 Ouro Preto

No início do dia estava pensando em seguir viagem, mas achei melhor dar um tempo para as pernas. A chuva fina que não parava também desanimava qualquer pedalada.
Passei o dia andando, batendo fotos pela cidade, organizando os backups das fotos e pesquisando melhor o trajeto do Caminho Velho.

Dia #8 - Ouro Preto - Congonhas (77kms)
Foi uma boa ter saído de Ouro Preto. Não parava de chover e a cidade ficava totalmente encoberta por uma névoa, dava uma certa depressão. Outra coisa que chamou bastante atenção na cidade foi a quantidade de usuários de crack.
Saí sentido Cachoeira Grande, estrada boa e com um sol surgindo no horizonte.

Igreja  em Santo Antônio do Leite

 A estrada é boa até Santo Antônio do Leite. Parei num bar para comer algo e conversei com um figura que dizia que o sonho dele era pegar a bike e sair viajando o mundo.

Santo Antônio do Leite
 
Indo para Miguel Burnier
Deixando Miguel Burnier

 Ferrovia

Em Miguel Burnier parei pra comer algo num boteco. A vila é muito pequena, lembrei de uma cidade em SC que morei.. Modelo.
O caminho até Lobo Leite é tranquilo, me perdi um pouco na entrada da ER para Congonhas.. ninguém parecia conhecer o trajeto,. No inicio teve uma longa subida que desencanei de pedalar e fui empurrando. De longe eu via a chuva passando pelo vale, e dei um tempo em cima da montanha, esperando a chuva passar.

 Lobo Leite - ER
Em Congonhas fiquei num hotel cheio de mineradores e sem banheiro no quarto. A fila pra usar o banheiro era grande e o estado do banheiro era aquela coisa.
Como cheguei cedo na cidade, saí para fotografar a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos.
A noite fui em outra igreja para fotografar. O Catolicismo é grande aqui.

 Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos


Sala dos milagres

Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

Apóstolo
Apóstolo e a cidade de Congonhas


Dia #9 - Congonhas - Lagoa Dourada (80kms)
Tava pensando em ir até Casa Grande hoje, mas mudei de ideia no caminho.
O caminho até Pequeri é legal, sem muitos problemas. Em Pequeri não encontrei nenhum lugar para comer.
Depois o trecho / trilha até São Bras do Suaçuí foi difícil. Ia passando pelas fazendas da região. Logo no início da trilha peguei um barro muito deslizante.. não deu outra: caí o primeiro tombo da viagem. Cortei um pouco a perna, mas nada demais. Segui pela trilha e me perdi numa bifurcação e levei um tempo até pegar o caminho certo.

Saindo de Pequeri

Atravessando o rio


 Pra completar estava brigando via SMS com minha namorada. Parei em São Bras do Suaçuí, liguei pra ela e nos entendemos.
Conversando com o cara da padaria, resolvi seguir direto para Lagoa Dourada hoje.. ia dar muita volta indo para Casa Grande.

 ER - São Bras do Suaçuí

Segui pela ER até Entre Rios de Minas. O sol apertou muito e fiquei sem água. Tive que bater na fazenda do Seu Manoel pra pegar um pouco de água. O Seu Manoel foi mto gente boa, "aqui a gente não regula água!" e me contou algumas histórias da região  Chegando em Entre Rios de Minas encontrei dois ciclistas que estavam treinando. Ai que me dei conta de quanto peso eu estava levando.. mais o cansaço de não ter descansado legal. Creio que para percorrer de forma mais tranquila e não tão exaustiva a ER é legal dar, pelo menos, um dia de descanso a cada 3 ou 4 dias..
Foi legal ter falado com os ciclistas, que me deram umas dicas do trajeto até Lagoa Dourada.
O trecho não tem acostamento, mas é tranquilo até.
Chegando em Lagoa Dourada ia entrar de novo na estrada de terra, até que encontrei um tiozinho que disse que provavelmente seria impossível atravessar um rio adiante, já que com as chuvas ele estava transbordando e não tinha pinguela.

Chegando em Lagoa Dourada




Igreja - Lagoa Dourada


 Fui conferir e realmente era muito difícil, resolvi voltar e pra minha surpresa tinham passado o cadeado numa porteira.. justo quando começou a chover muito.
No meio da chuva, tive que desmontar todos os alforges da bike e passar por cima do portão. Fiquei até tentado a cortar os arames com um alicate... mas resolvi fazer a coisa certa.
Em Lagoa Dourada - a capital do rocambole - fiquei no Hotel Gloria, fiz todo o ritual de limpeza, sai para bater umas fotos a noite e capotei depois.

Dia #10 Lagoa Dourada - Tiradentes (47kms)
Achava que seria um dia fácil, mas foi muito cansativo.
Logo que estava saindo de Lagoa Dourada, meu pai manda um SMS dizendo pra ter cuidado, porque tinha previsão de chuva forte na região.

Marco da ER - Lagoa Dourada


O trajeto foi dificil porque precisava descer da bike nas descidas, era tanto cascalho molhado que a bike ia deslizando sem muito controle..
Em Prados parei numa padoca pra comer. Uma coisa muito legal daqui de Minas é a comida, que é muito boa e barata (comparando com São Paulo).
O trajeto até "Bichinho" é muito de boa. Mas chegando em Bichinho começa o verdadeiro inferno: um calçamento que fazia a bike e eu tremer até o osso. Foi um trecho muito dificil, porque é muito ruim de pedalar naquele tipo de terreno.




 Calçamento maldito (Bichinho)

 Montanhas - Tiradentes

Tiradentes


Chegando em Tiradentes foi um trabalho encontrar uma pousada barata, mesmo assim acabei ficando na pousada mais cara de toda a viagem. E olha que a dona fez um desconto porque estava em reformas.
O resto do dia choveu muito, e acabei saindo só mais a noite. Conversando com o pessoal da cidade peguei dicas importantes sobre o trajeto de amanhã.



Dia #11 - Tiradentes - Carrancas (95kms)

A noite passada foi com muito calor e pernilongos.. o ventilador não estava funcionando. Pra completar a dona da pousada sumiu e fiquei sem café da manhã.
Segui pela ER, passando pelo primeiro marco da Estrada Real.. tem uma cachoeira muito legal ali. A única dificuldade foi a estrada de calçamento maldito...

Primeiro Marco da Estrada Real

 O trajeto depois de São João del Rey é bem legal, com uma vista e uma tranquilidade muito boa. Curti pedalar ali..
Chegando num pasto / potreiro duma fazenda, tive que descer da bike pra empurrar.. tinha muita lama no chão. Depois qundo fui tentar pedalar vi que a lama tinha secado e estava travando a roda, junto com capim.... perdi um bom tempo pra tirar o barro seco e o mato das rodas e câmbio. Sorte que teve um rio sem ponte para atravessar depois, e deu para retirar melhor a lama.
No caminho encontrei um pessoal de moto fazendo trilhas, que nem sabia que estava na estrada real. Creio que boa parte da população das cidades não sabe da ER.
O trajeto até São Sebastião da Vitória é dificil por causa do cascalho solto e da lama das fazendas, mas é muito bonito e tranquilo.

 Nas fazendas..

 Caminho para Caquende

  Caminho para Caquende #2

Em São Sebastiãio da Vitória almocei e segui para Caquende. O visual é impressionante..
Chegando em Caquende parei num buteco pra sair da chuva, conversando com os bêbados locais fiquei sabendo que só tinha pousada em Capela do Saco, que ficava do outro lado da represa.
Fui pegar a balsa e em pouco tempo estava em Capela do Saco. Como era cedo ainda, resolvi seguir pedalando até Carrancas...
No meio do caminho precisei lubrificar a corrente da bike, que está sofrendo muito na Estrada Real.

Serra de Carrancas


O trajeto foi muito legal, sem muitas subidas... só lá longe que eu via uma montanha gigante... não imagina que teria que subir ela. Cheguei no pé da Serra de Carrancas e tinha uma placa: somente 4x4.
Foi um dos momentos mais legais de toda a ER. Subir a serra, toda branca, com uma garoa fina caindo... o visual é impressionante, pena que fiquei com o cartão de memória cheio e não consegui bater muitas fotos. Mas com certeza foi um dos lugares mais marcantes da trip, eu diria que o ápice dela.
Em Carrancas a missa era transmitida nos alto-falantes da igreja quando cheguei. Tentei uns hotéis e pousadas, mas o pessoal estava na missa. Acabei ficando num hotel com um pessoal da rede globo, que estava gravando uma novela na cidade.
Lavei a bike e as coisas... depois começou uma chuva absurda.. que iria me acompanhar no dia seguinte.

Dia #12 - Carrancas - Caxambu (89kms)

Muita chuva neste dia. Sabia que a estrada estava ruim, várias pessoas tinham comentado. Me despedi do pessoal do hotel e segui rumo a Fazenda Traitúba.

Muita lama, saindo de Carrancas
 
O pedal de hoje não foi muito legal, eu diria burocrático até. Ficou chovendo o tempo todo e quase não consegui bater fotos. Outro fator foi a distância de pontos de apoio: não encontrei nenhuma venda ou bar até chegar em Cruzília, foram mais de 60 kms sem encontrar com quase ninguém no caminho. Achava que iria encontrar algo na região da Fazenda Traituba.. mas não encontrei. Minha sorte foi que tinha uma lata de atum no alforge, e deu pra dar uma segurada. Outra coisa que foi bom até foi a chuva, assim não precisei beber tanta água.. creio que este trajeto sem chuva deve ser muito quente. O ruim da chuva foi a quantidade de barro...

Fazenda Traituba


Chegando em Cruzilia parei no primeiro restaurante e fiz a festa..
Segui até Caxambu sem problemas. Parei na loja de bike Metal Bike e comprei uma corrente nova. O pessoal me indicou uma pousada no centro... Pousada Águas de Minas, dum figura que também pedalava. Fui até a pousada e o cara foi muito gente boa, ajudou com todo o suporte a limpeza da bike.
Saí para ver umas mapas na Internet e bater algumas fotos na cidade.
 
 Damódromo de Caxambu
Parque das Águas - Caxambu

Dia #13 Caxambu - Itanhandu (65kms)

Acordei com muita chuva caindo. Quando estava com a bike pronta para partir a chuva deu uma acalmada e consegui visitar o parque das águas da cidade.
Gostei bastante de visitar e fotografar o parque, vale a pena conhecer. Tem água com gás direto da bica...

Fonte Dom Pedro II

Fonte Princesa Isabel / Conde D'Eu

Segui para São Lourenço, onde parei para tomar mais um café. Gostei da cidade, assim como Caxambu.
Seguindo para Pouso Alto peguei bastante barro na ER. Também fui atacado por várias crianças, que agarravam a bike, tentando pegar algo e pedindo dinheiro. Consegui me livrar delas sem machucar ninguém. Fiquei de cara com a situação. Dois meninos vieram para cima de mim, tentando me alcançar de bike. Quando eu vi que estava longe da horda de crianças, parei e os de bike ficaram assustados e retornaram.
Tava sentindo um clima bem tenso ali, nunca tinha tido qualquer tipo de problema do gênero. Depois me perdi, na entrada pra uma ponte que parece que não existe mais. E um cachorro gigante veio pra cima de mim. Sorte que eu estava empurrando bike na lama, assim ele viu que eu não aparentava mto perigo e foi embora. Mas uns poucos kms a frente, em uma subida daquelas, veio uma matilha de cachorros pra cima... era mto dificil pedalar ali, não dava pra ser mais rápido que eles. Eles me cercaram e foram apavorando do meu lado por um bom tempo.. e eu cagado de medo de levar uma mordida. Em nenhum outro momento da viagem minha frequência cardiaca foi acima de 170bpm... mas naquele momento subiu a 178bpm.
Segui pedalando e sentindo um clima bem estranho ali. Pedi umas informações e as pessoas foram até rudes... achei muito estranho. Seria meu cheiro?
 ER - Pouso Alto
 Pouco tempo depois estava em Pouso Alto. Parei para comer e resolvi seguir direto para Itanhandu e não passar por Itamonte e economizar uns bons kms.
Chegando em Itanhandu fiquei num hotel bem antigo, o único que vi na cidade. Gostei do clima da cidade, com uma bela vista para a serra.

 Itanhandu - Calçadão

Trilhos

Vista para a Serra de Passa Quatro

Dia #14 Itanhandu - Guarantinguetá (86kms)

O caminho até Passa Quatro é bem tranquilo, e praticamente plano. Interessante foi ver as criações de frango na região.. dá pra ter ideia da dimensão da coisa.

Criação de frangos

Passa Quatro - ER



Em Passa Quatro tomei o segundo café da manhã e conheci um ciclista que estava planejando fazer a Estrada Real em breve, o seu Zé.
Para chegar até lá em cima da serra teve umas subidas muito íngremes, mas chegando lá o visual recompensa. Acabei conhecendo dois ciclistas de Cruzeiro..  Robson e o Betto. Lá em cima também é a divisa entre os estados de Minas e São Paulo.

Eu, Betto e Robson.


Divisa MG-SP

Divisa

Agora era só descer serra abaixo... Depois é praticamente plana toda a estrada até Guarantinguetá.
Quando cheguei em Guarantinguetá não encontrei nenhum lugar para almoçar. E como amanhã será mais de 100kms e duas serras eu precisava estar bem. Acabei indo pra um shopping maldito comer.
No mais, passei o dia descansando pras montanhas de amanhã.

Dia #15 Guarantinguetá - Paraty (115kms)
Este é o último dia da viagem. Estava bem apreensivo para subir as duas serras, sendo que estava bem cansado dos outros dias, mas estava muito feliz também.
A serra cansa, mas dá pra vencer com calma. Fui ultrapassado por dois ciclistas andando de speed.. deve ser legal morar por ali e poder subir a serra quando quiser.

Serra de Guaratinguetá


Chegando em Cunha almocei num posto de gasolina. Comi muito, o que me ajudou, pois não encontrei mais nenhum ponto para vender comida até Paraty.
Para subir a Serra do Mar eu estava com as pernas bem cansadas, sem torque eu diria. O sol abriu e começou a ficar muito quente, fiquei preocupado pois estava levando somente 2L de água.
Pedalava muito, sempre subindo... subindo. Chegou uma hora que precisava comer algo.. comi os doces que tinha comprado de presente para a namorada. No inicio queria comer somente uns.. mas acabei comendo tudo.
Encontrei uma cachoeira no caminho, fiquei um tempo ali e a água gelada deu uma aliviada no calor. Segui pedalando e achei interessante ver Araucárias por ali, tão próximas do mar (mas em cima da serra).

Subidas... sempre

Araucária


Cachoeira na Serra do Mar


Depois de muito pedalar cheguei a divisa de SP-RJ. Bateu uma felicidade grande, não tinha mais subidas pela frente.. somente um downhill absurdo em estrada de terra. A estrada é muito, mas muito ruim.

Divisa SP-RJ

Avistando Paraty


Ver o mar de lá de cima foi muito bom. Foi um dos momentos mais legais da trip.
Chegando em Paraty eu mandei SMSs para todo mundo, tava muito feliz por ter conseguido. Fui direto para a Praia do Pontal tomar um banho de mar. E pela segunda vez Paraty era meu destino final, a primeira vez foi em 2009, quando fiz SP-Paraty.. e agora, finalizando a Estrada Real.

Final da ER



Paraty

 Consegui comprar passagem para voltar no mesmo dia para São Paulo. Para transportar a bicicleta, a empresa Reunidas pede para embalar a bike. Comprei um plástico bolha e uma fita e essa foi a "embalagem". Outra coisa, mas que o motorista não solicitou, foi a nota fiscal da bike que o atendente disse que seria necessário.
Foi um exercício de superação completar a Estrada Real. No ínicio teve as subidas intermináveis, muito barro e a chuva. O Caminho dos Diamantes exige muito e seria melhor ter feito com pelo menos mais um ou dois dias para ficar nos lugares e conhecer melhor as cidades.. Mas o visual e o contato com as coisas faz tudo valer a pena. O lugar é realmente incrível. O Caminho Velho é mais traquilo, porém vale a pena ser feito com mais tempo, parando nas cidades e aproveitando as atrações de cada uma. Mas se não tiver esse tempo, vale a pena só pelo fato de percorrer a Estrada Real.
Ao total foram 15 dias e aproximadamente 1100kms entre Diamantina e Paraty, entre Novembro e Dezembro de 2011.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Estrada Real - Caminho dos Diamantes (Diamantina / Ouro Preto)

Preparação - São Paulo / Diamantina (ônibus)

Diamantina


Cheguei no Terminal Rodoviário do Tietê para embarcar pela Empresa Gontijo até Diamantina. O ônibus partia às 8:50pm.
Levei plástico bolha para embrulhar a bike, mas não foi necessário. Apenas tive que pagar uma taxa de 24 reais, tirei a roda da frente e acomodei a bicicleta no bagageiro do ônibus.
O caminho foi tranquilo, no dia seguinte paramos em Curvelo-MG e troquei de ônibus, seguindo para Diamantina.
Chegando em Diamantina a chuva castigava a cidade. Fiquei num hotel na frente da Rodoviária, Hotel JK.


Chovia tanto que tive que ficar praticamente o dia todo no quarto do hotel. A chuva era o que mais me preocupava, pois sabia que era a estação das chuvas e iria pegar muita água no caminho.
Gostei muito da comida mineira, que lá não chamavam de comida mineira, apenas comida.

Dia #1-  Diamantina / Serro (66kms)

Foi o dia teste: de pernas, bike, chuva...
Saí às 8:30am do hotel, a chuva estava fraca mas a cidade de Diamantina tem ruas muito escorregadias e tive que pedalar devagar.
Logo cheguei no primeiro marco da Estrada Real (ER), eles iriam me acompanhar pelos próximos 1100kms.

Marco da ER

A chuva deu uma trégua e a paisagem era absurda, nada que eu já tivesse visto antes, umas montanhas contrastando com a estrada, nuvens e a vegetação. Fiquei feliz que a chuva deu essa pausa e consegui bater algumas fotos.




Depois de 2hs sem chuva, ela apareceu.. e apareceu mesmo. Chovia muito e coloquei a capa de chuva, a capa me protegia somente do frio da chuva, pois o esforço que os morros exigiam fazia com que eu ficasse encharcado de suor por baixo da capa.

Esperando a chuva acalmar


Os morros eram longos e constantes, tinha pouco percurso plano. Creio que acertei na escolha dos pneus (26 x 1.95 com cravos), pois derrapava pouco e conseguia uma boa tração nas longas subidas de cascalho solto.
Chegando em São Gonçalo do Rio das Pedras resolvi empurrar a bike numa subida. Pedalando tinha uma velocidade de 4 - 5km/h e empurrando dava 4km/h... neste primeiro dia foi a única vez que empurrei, mas lá pela metade da viagem quando eu via um morrinho mais íngreme já desencanava e descia da bike.

 São Gonçalo do Rio das Pedras

Em SGRP encontrei uma vendinha que comprei pregadores de roupa e comida. Usei os pregadores de roupa para fechar os pacotes de bolacha e a capa do alforge do guidão. Celular da Claro não pegava ali, neste dia só tive sinal em Serro.
Cheguei em Milho Verde depois de passar por mais algumas montanhas e apareceu o asfalto. Foi um alívio, pedalar naquele barro não era muito agradável... mas mal eu sabia o que me aguardava no dia seguinte..

Asfalto...
Subidas e chuva

Chegando em Serro vi que estava sem freios, a chuva tinha detonado com eles. Comprei os dois últimos pares de freios duma loja de bikes da cidade.
Meu celular tinha ido pro brejo com a quantidade de água que peguei. Tive que pegar um cel. emprestado com o povo da pousada (pousada do queijo) pra poder dar notícias pro povo.
No hotel iniciei um ritual que iria se repetir por quase todos os dias de viagem: lavar a bike, trocar as sapatas de freios e lavar a roupa cheia de barro. Perdia cerca de 1h todo o dia nessa...
Foi um dia bem difícil este, choveu muito, a estrada tinha muito barro, cascalho solto e os morros predominaram. Na real quase todos os dias foram assim durante o Caminho dos Diamantes... mas eu estava feliz e curtindo muito todo o percurso. A chuva que eu achava que seria um grande problema, acabou se tornando algo normal... que só atrapalhava mesmo na hora de bater fotos e chegar nos hotéis das cidades (por causa da lama no corpo e bike).

Dia #2 - Serro / Conceição do Mato Dentro (75kms)

Acordei e fui comprar um celular que tocasse mp3, já que o meu tinha ido pro brejo ontem. Peguei o mais barato, mas que parece ser resistente e tem a vida longa da bateria. O cel. só tinha utilidade pra tocar música, já que praticamente não tem sinal no caminho todo.
A estrada até a próxima cidade, Alvorada de Minas, é asfaltada. Parei em Alvorada pra tomar um café numa padoca e depois segui caminho...

Estrada para Alvorada de Minas


Barro, mas muito barro.. a estrada virou isso. E quase ninguém passando na estrada, só uns caminhões de mineradoras. Foi um dia difícil, diria o mais difícil da trip toda, porque a lama incomodava muito.

 Muita chuva até Conceição do Mato Dentro


Quando cheguei em Conceição do Mato Dentro as crianças na rua apontavam pra mim e diziam: "Nooossa!" Eu não tinha noção como estava, e parei num posto pra jogar uma água em cima de mim e da bike. O pessoal do posto me olhou assustado...

 Muita lama..

Achava que estava limpo,  e segui para uma loja de bikes pra comprar mais sapatas de freio. As pessoas continuavam olhando assustadas pra mim.
Tentei umas pousadas e hotéis, e todo mundo dizia que estava cheio, mas na verdade apenas não queriam abrigar alguém tão sujo.. Fiquei na pousada do Carioca, um figura muito gente fina.
Fiz o ritual de limpar as coisas, fui comer e ligar pro povo. Tava muito cansado e capotei.. Sai mais tarde pra bater uma foto duma igreja da cidade, mas começou uma chuva no meio do caminho.

 Igreja - Conceição do Mato Dentro

Dia #3 Conceição do Mato Dentro / Itambé do Mato Dentro (60kms)

Hoje foi o dia mais difícil de subidas... não parava nunca de subir. O trajeto era basicamente subir morros a 4km/h e descer a 40km/h.

O legal de hoje é que pela primeira vez não peguei chuva, o tempo abriu por bastante tempo. Acabei pegando uma chuvinha só quando cheguei em Itambé. Em conta disso levei bastante tempo pra completar o percurso.. porque parava direto para tirar fotos (na verdade eu parava para descansar dos morros, e aproveitava para bater fotos).

Saindo de Conceição do Mato Dentro

 Indo para Morro do Pilar

 Logo no início tinha uma subida gigante de asfalto, pra sair da cidade, depois entrei na estrada de terra e permaneceu assim até chegar em Itambé.
A corrente da bike partiu por causa da lama e estava com dificuldade de encaixar os pinos, porque a corrente acabou entortando. Esqueci em São Paulo os elos extras da corrente e acabei tendo que arrancar fora uns para poder arrumar e seguir o pedal.
Encontrei um fusca atolado na estrada, o motorista tinha achado que o buraco com água não era tão fundo...
Depois de muita subida cheguei em Morro do Pilar. Almocei num buffet livre.. meio caro pra região, mas era o que tinha. As pessoas me olhavam estranho lá.. não senti uma energia muito boa e piquei minha mula em sequência.

 Morro do Pilar

Passei por paisagens maravilhosas neste dia, valeu muito a pena. Fiquei meio abalado porque levei pouca água e não quis entrar nas fazendas pra pegar mais.. a preguiça acima da sede.
Um caminhão que passou a mil por mim acabou atolando depois, foi engraçado passar pelo povo sem conseguir sair do lugar.. esperando algum reboque.. e o ciclista lento.. ultrapassando e conseguindo chegar ao destino.

No meio do nada..

Subindo.. sempre


 A chuva, inevitável..

Em Itambé parei num posto de gasolina e lavei bem a bike, fiquei bem apessoado até.
Arrumei uma pousada, fiz o ritual de limpeza das coisas, comi e capotei até o dia seguinte.

Dia #4 Itambé do Mato Dentro - Barão de Cocais (82kms)

O café da manhã do hotel atrasou bastante, era para ser as 7:00, mas somente 8:00 foi servido.
No mesa do café conheci uns caminhoneiros, que estavam presos na cidade, já que as estradas estavam muito ruins para sair dali. Isso já me dava uma ideia de como seria o dia..
Tive outro problema: o hotel não aceitava cartão e não tinha Banco do Brasil na cidade, nem caixas 24hs. E eu achava que o Banco do Brasil brotava em qualquer lugar... mas a Estrada Real não é qualquer lugar. Tive que ir até uma farmácia pegar grana, e deixar uma taxa de 10% para o farmacêutico..
Estava me sentido roubado e atrasado quando saí de Itambé do Mato Dentro, rumo a Ipoema.
A saída da cidade foi um dos trechos mais difíceis da viagem..a lama tomou conta de tudo. Tinha que ficar descendo direto pra empurrar a bike, porque atolava. Neste momento bateu a primeira e única vontade de abandonar a trip.. não estava nem conseguindo pedalar, só empurrar a bike.

Tentando sair de Itambé do Mato Dentro



Vacas...
 
Pouco tempo depois a estrada melhorou um pouco. Vindo no sentido contrário encontrei um figura de moto, bem assustado, perguntando como estava a estrada que eu tinha passado. Creio que foi o único veículo que encontrei até a vilinha de Senhora do Carmo. Depois teve mais subidas, mas sem tanto barro.

Igreja nova na ER
 
Em Ipoema fui comer na Rodoviária e conheci o Alex. Ele disse que todo mundo que chega ali, chega pensando em desistir, pois este é um dos trajetos mais difíceis da ER.
Depois é asfalto até Bom Jesus do Amparo. Começou a chover muito quando saí da cidade e fui com chuva nas costas até Barão de Cocais.
Barão de Cocais é uma cidade que abriga muitos mineradores. Vários hoteis da cidade são exclusivos para mineradores. E a cidade parece girar toda em torno das empresas mineradoras. E nenhum orelhão funcionava.
Fiquei num hotel legal, Caraça, e fui repetir o ritual de limpeza das coisas e bike.
Foi um dia bem cansativo, mas deu pra completar o caminho.

Dia #5 Barão de Cocais - Mariana (115kms)
O dia de hoje foi ferro. Tudo ok até até Santa Barbara, estradinha de terra sem muitas subidas nem muita chuva. Bati fotos e achava que tinha a vida inteira pela frente. Chegando na cidade comi mais um café da manhã.

Indo para Santa Bárbara

E o barro sempre presente..

Santa Bárbara

Depois meu percurso no GPS estava com problemas e não consegui visualizá-lo. Fui seguindo as placas da Estrada Real e fui parar num asfalto... tudo muito bom para ser verdade.. quando fui ver, estava indo para Caraça.. e não Catas Altas. Creio que Perdi uns 20kms nessa brincadeira... Pelo menos a paisagem era legal.


 Indo para Carraça

Voltei e fui até Catas Altas... Tava pensando em ficar por lá. A cidade fica no pé da Serra do Caraça, é muito bonito o contraste da montanha, as nuvens e a cidade. Mas resolvi esticar o pedal até Mariana, porque começou a chover muito.


 Catas Altas

Segui pelo asfalto, que não tem acostamento. Tem que ficar ligeiro, pois passam muitos caminhões. O trajeto foi basicamente uma longa subida. Chegando perto da  mineradora Vale o trânsito de caminhões e ônibus se intensifica muito.. é realmente necessário muita atenção. Era praticamente só o que transitava ali. Fiquei com uma sensação bem ruim, aquelas pessoas pareciam gado dentro daqueles onibus... ai comecei a pirar que o metro e os ônibus de São Paulo são a mesma coisa.
O legal foi que indo por ali consegui ver o "estrago" absurdo que essas mineradoras fazem no mundo.. é impressionante ver aquela area de perder a vista toda deserta e sem vida.
Depois de muito subir, cheguei em Mariana e fiquei num hotel bacana bem no centrinho. Lavei a bike, troquei freios... repeti o ritual de sempre.

Igreja em Mariana
 Duas Igrejas..
E mais uma..

A noite a chuva deu uma trégua e consegui sair para bater umas fotos da cidade. Curti ficar ali, era um dos poucos lugares que ainda lembrava de Minas, de uma viagem que fiz com meus pais na década de 80.

Dia #6 Mariana - Ouro Preto (11kms)

Acordei cedo e fui bater umas fotos e visitar umas igrejas na cidade. Conheci um povo legal, inclusive um pessoal dum conservatório musical.

Igreja (interior)

 Ruas de Mariana, no fundo mais uma Igreja

 Saindo de Mariana

O caminho para Ouro Preto é uma subida. Nada muito cansativo, mas como eu estava pedalando bastante nos últimos dias.. fui bem devagar, tava precisando dar um tempo pras pernas.
Fiquei num hostel - O Sorriso do Lagarto-, e sai para conhecer a cidade e bater fotos.
Ainda não sei se vou pedalar amanhã, preciso dar um descanso para as pernas e mãos... provavelemnte vou ficar em Ouro Preto. É interessante, pois estou sentindo as mãos de tanto utilizar o freio..e ontem as sapatas de freio estavam totalmente gastas, precisei fazer muito esforço com as mãos.
De qualquer forma hoje completei o Caminho dos Diamantes.. agora sigo pelo Caminho Velho, até Paraty.

Ouro Preto
Para quem quiser ver mais fotos, é só dar uma passada no meu Flickr, que tem um álbum da Estrada Real. http://www.flickr.com/photos/victorguidini